O primeiro ano da Alice foi incrível. Ela sempre foi um bebê muito bonzinho, mesmo quando recém nascida. Ela teve uma fase de cólicas muito pequena e nesse primeiro ano acho que conseguimos lidar bem com as acordadas noturnas.
Eu passava os dias me apaixonando cada vez mais. Todos me diziam que aos 3 meses ficava melhor ainda, depois aos 6. E eu não acreditava, pois achava que a fase presente era sempre incrível. E ela crescia e eu descobria que ficava sim, cada vez melhor. Adorei todos os meses e todas a s fases.
Aí ela completou um ano, começou a falar, a andar e pedir muita atenção, se tornando um bebê muito divertido e ativo. Juntando isso ao fato dela acordar muito a noite, essa fase foi deliciosa mas muito cansativa. Sim, por que lembra o parágrafo de cima, que não tivemos problemas com o sono? Pois ela acumulou toda sua cota de noites insones para quando completou um ano. Nos períodos mais negros ela acordava de duas em duas horas, mais do que quando era recém nascida. E isso durou quase um ano. Todo mundo fala que bebê dá trabalho, eu acho que uma criança de um ano dá muito mais. A compensação eram as milhares de descobertas diárias que dava vontade de ter uma câmera registrando-a 24 horas por dia para não perder as fofuras.
Perto de completar dois anos, as coisas começaram a acalmar. As noites voltaram a ser bem dormidas, ela começou a brincar mais tempo sozinha demandando um pouco menos de atenção e começou a entender um pouco melhor as coisas.
Então com dois anos a Alice:
Fala muito! Conosco ou sozinha. Mantém diálogos curtos, porém muito interessantes. Conta algumas coisas que acontecem na escola. Não sei se todas as crianças são assim, mas ela é meio mandona. Seus gestos e até o tom de voz indicam isso. O Victor diz que ela tem a quem puxar, mas eu não sei bem do que ele está falando.
Como ela fala bastante, muitos dos nossos conflitos são resolvidos com negociações. Dá certo grande parte das vezes, mas não escapamos das “birras” típicas da idade, que acontecem principalmente quando ela está cansada. Ainda estamos em fase de testes sobre como lidar com elas.
Ela tem dormido bem, raramente acorda durante a noite, porém levanta muito cedo. E isso faz dela nosso despertador. Ela acorda todo dia perto das 6:30 hs. Eu a levo pra nossa cama, e aí começa sua campanha para nos tirar de lá. Primeiro ela fala: “Alice vai apagar a luz” e acende a luz na nossa cara (ela ainda confude acender/apagar, subir/descer), depois começa a puxar o cobertor do Victor e puxá-lo pela mão: “levanta papai, tira a cobéta”. Até nos vencer pelo cansaço e todos levantamos.
Quando voltamos de viagem demoramos um pouco a acertar o ritmo de manhã, e acabávamos atrasados todos os dias. Graças a isso, agora ela passa a manhã antes de ir para escola falando “rápido, tem que correr, tá todo mundo atrasado, né?”
Confunde chato com chateado. Outro dia de manhã, como estávamos atrasados, o Victor disse pra ela que não ia ter folia na hora de escovar os dentes, eles demoram uns 10 minutos nesse processo, e dessa vez tinha que ser rápido: “hoje o papai tá chato porque a gente tá atrasado”. À tarde, no carro, voltando para casa ela me fala:
- Mamãe o papai tá bravo com a Alice.
-Não filha, o papai não tá bravo.
E antes que eu pudesse explicar:
-Ah! Ele tá chateado.
-Não, também não – e agora como eu explico pra essa criança a diferença?
-Tá triste? – Já na dúvida do que estava acontecendo.
O jeito foi quando o pai chegou em casa, falar que não estava bravo, nem chateado e gosta muito dela.
- Tá feliz? – peguntou com um sorriso.
- É tá feliz!
Faz comparações. Como outro dia no metro. Ela colocou a mão na corrimão que fica no Sol e observou “tá quente”. Já dentro do metro, no outro corrimão: “esse não tá quente, tá melhor”
Ou quando eu imitei uma gracinha que o Victor faz para lavar seu cabelo: “igual o papai, né?”
Desmamou sem grandes dramas. Depois de meses em livre demanda, quando ela começou a comer, eu dei uma regulada nos horários e criamos uma rotina bem flexível. E a partir de um ano ela foi naturalmente abandonando as mamadas diurnas, uma a uma, sobrando só a mamada antes de dormir. E com toda a confusão da madrugada eu não queria criar mais drama na hora de dormir, já que ali nossa rotina funcionava super bem.
Chegou um ponto que sem mim ela dormia sem pedir pra mamar, mas se estivéssemos sob o mesmo teto, não tinha jeito.
Perto dos dois anos, essa mamada ja quase não contava, era bem rápida, depois ela passava para berço até adormecer. Mas como estávamos de viagem programada, eu não queria que ela tivesse uma crise de abstinencia em outro país, na casa em que estivéssemos hospedados. Então comecei a falar pra ela, que ela estava crescendo, que não precisaria mais mamar, e que era normal o mamá ir acabando. E fui repetindo isso muitas vezes até o dia que eu falei: “esse é o último dia, hoje a gente vai falar tchau pro mamá”.
Nos dias seguintes o Victor e o tio Neto a colocaram pra dormir. Quando eu retomei essa função, ela nem tocou no assunto, pediu um pouco de colinho e foi para o berço.
“Adora” coisas. Do nada começa a falar “eu adoro o sapo”. Ou quando vê alguma coisa nova, interessente, ela diz: “que bonito!”, bem devagarinho.
Tenta conjugar os verbos, mas ainda saem umas pérolas como “eu bebei”, “eu trazei”, “cabiu”.





